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‘Golfinhos Kamikaze’ e Tensão no Estreito: Pentágono Nega Armas Biológicas Iranianas em Meio à Crise

Em coletiva marcada por referências à cultura pop, Secretário de Defesa Pete Hegseth tenta separar “operação defensiva” de guerra aberta, enquanto Trump ignora baixa popularidade e alta dos combustíveis.

DA REDAÇÃO

5 de Maio de 2026

WASHINGTON – O que deveria ser uma atualização estratégica sobre a segurança marítima no Oriente Médio transformou-se em um cenário surreal nesta terça-feira. O Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, viu-se obrigado a desmentir publicamente que o Irã esteja utilizando golfinhos treinados para realizar ataques suicidas contra a frota americana e navios comerciais no Estreito de Ormuz.

A questão dos “golfinhos kamikaze” surgiu após relatos de que Teerã estaria buscando “armas não convencionais” para romper o cerco econômico e militar imposto pelo governo Trump. Embora soe como ficção científica, a base do rumor é histórica: em 2000, a BBC reportou que o Irã adquiriu golfinhos de treinamento militar da antiga União Soviética.

“Tubarões com Raios Laser”

A reação inicial da cúpula militar foi de deboche. O general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, ironizou a pergunta: “Você quer dizer tipo tubarões com raios laser?”, citando o vilão Dr. Evil, do filme Austin Powers (1997).

Hegseth, no entanto, adotou um tom mais formal, embora vago, para encerrar o assunto:

“Não posso confirmar ou negar se temos golfinhos kamikaze, mas posso confirmar que eles [o Irã] não têm. É isso mesmo.”


Projeto Liberdade: Uma “Cúpula” sobre o Estreito

Apesar do momento de leveza, o restante da coletiva tratou de uma realidade sombria. Hegseth anunciou detalhes do “Projeto Liberdade”, uma nova missão do Departamento de Defesa destinada a garantir o fluxo comercial no Estreito de Ormuz, onde os preços do petróleo dispararam após bloqueios iranianos.

Os números da operação:

  • Contingente: 15.000 soldados.
  • Equipamento: Mais de 100 aeronaves e destróieres de mísseis guiados.
  • Objetivo: Criar uma “cúpula vermelha, branca e azul” de vigilância 24 horas sobre embarcações civis.

O Pentágono insiste que esta missão é “separada e distinta” da Operação Fúria Épica — a guerra iniciada por Donald Trump há dois meses. Segundo Hegseth, o Projeto Liberdade é defensivo e não violará águas territoriais iranianas. “Não estamos procurando briga”, afirmou o secretário, classificando a cobrança de pedágios pelo Irã como “extorsão internacional”.

O Imbróglio Jurídico e a “Guerra Encerrada”

A distinção entre as operações parece ter um objetivo jurídico claro: contornar a Resolução de Poderes de Guerra. Pela lei, após 60 dias de hostilidades, o presidente deve obter autorização do Congresso para continuar o conflito.

Na última sexta-feira, em uma manobra controversa, Trump enviou uma carta ao Legislativo alegando que as hostilidades “terminaram”, apesar de manter um bloqueio naval — que, pelo direito internacional, configura ato de guerra.

“O bloqueio de ferro continua em pleno vigor”, admitiu Hegseth, contradizendo a narrativa de que a paz foi restaurada, mas reiterando que o cessar-fogo “não acabou”.


Economia e Popularidade em Queda Livre

Enquanto o Pentágono discute táticas navais, a Casa Branca enfrenta uma crise doméstica. Uma pesquisa recente da ABC News/Washington Post revela um cenário devastador para a administração:

  • 76% de desaprovação na gestão da alta dos preços (gasolina atingiu a média de $4,44 por galão).
  • 66% de desaprovação sobre a condução da guerra no Irã.
  • 72% de reprovação no combate à inflação.

Inabalável, Trump utilizou sua rede social, Truth Social, para minimizar as perdas e ameaçar Teerã com a aniquilação total caso navios americanos sejam atacados. “O Irã será destruído da face da terra”, escreveu o presidente, prevendo que os preços da gasolina vão “cair como uma pedra” assim que sua vitória for consolidada.

Para os analistas, o Projeto Liberdade é a cartada final de Trump para tentar estabilizar a economia global e sua própria imagem política antes que o custo da guerra se torne insustentável para o eleitor americano.


Com informações de agências internacionais.

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