A conta chegou, e não estamos falando apenas do boleto mensal que assusta o paranaense. A Copel, outrora orgulho do estado, foi colocada contra a parede no Senado Federal nesta terça-feira (5). O ultimato é claro: 30 dias para apresentar um plano de ação que interrompa a sequência de falhas que transformaram a energia elétrica — um direito básico e insumo de produção — em um “fator de risco” constante.
A audiência pública não foi um debate teórico; foi um velório de produtividade. Quando o presidente da Faep, Ágide Meneguette, relata a morte de 20 mil frangos em uma única granja em São Miguel do Iguaçu por falta de luz, ele não fala apenas de prejuízo financeiro. Ele fala de descaso com quem carrega o PIB do estado nas costas.
Investimento no Papel, Escuridão no Campo
A defesa da Copel, capitaneada pelo diretor-geral Antônio Villela de Abreu, segue o roteiro de sempre: a culpa é do clima. Tempestades e vendavais são, de fato, desafios reais, mas não podem servir de escudo eterno para a falta de robustez do sistema. Se o sistema não suporta o clima do Paraná, o problema é de engenharia e de investimento mal direcionado.
Enquanto a diretoria fala em “canais específicos para o setor rural”, o setor produtivo rebate com a realidade do cronômetro. O dado da Aneel de que o paranaense ficou “apenas” sete horas sem luz em 2025 mascara a agonia da indústria. Como bem pontuou João Arthur Mohr, da Fiep, um “pisca” de segundos é suficiente para desarmar uma linha de produção inteira, gerando horas de manutenção e desperdício de matéria-prima.
A Conta que Não Fecha: Tarifa de Ouro, Serviço de Bronze
O que torna o cenário verdadeiramente indigesto para o consumidor é o contraste entre a qualidade do serviço e o apetite tarifário. É um acinte que, em meio a reclamações crescentes e fiscalizações técnicas da Aneel, se discuta um reajuste que pode chegar a 19% para o cidadão comum e astronômicos 51% para setores da indústria.
O questionamento é inevitável: Como a Copel justifica aumentos tão agressivos se não consegue garantir a estabilidade do fornecimento? Para onde está indo o dinheiro do contribuinte, se o sistema “derrete” diante de qualquer chuva?
O Alerta Amarelo da Aneel
Pela primeira vez em muito tempo, a Aneel admitiu que o número de reclamações “acendeu um alerta”. Mesmo que a companhia ainda dance dentro dos limites regulatórios — que muitas vezes são benevolentes demais com as concessionárias —, a fiscalização técnica no segundo semestre é um atestado de que a confiança na gestão atual está abalada.
O Que Esperar dos Próximos 30 Dias?
A Copel prometeu que o plano de ação focará no “período úmido” (setembro/outubro). É o mínimo. O Paraná não pode aceitar que a solução seja apenas um “atendimento especial”. O que se exige é infraestrutura moderna.
Se em 30 dias a companhia apresentar apenas mais um PowerPoint repleto de promessas vagas e justificativas meteorológicas, ficará provado que a privatização ou as mudanças de gestão não serviram para o consumidor, mas apenas para os gráficos de desempenho financeiro.
O setor produtivo e as famílias paranaenses não aceitam mais desculpas. No estado que é o “celeiro do mundo”, é inadmissível que o produtor rural tenha medo de uma nuvem no céu por saber que a Copel não segura o tranco.
Confira a matéria do G1:



